quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A saída de Paulo Câmara é pela esquerda 

Nas eleições de 2014 Eduardo Campos decidiu se distanciar do PT para tentar a presidência da República, quebrando uma aliança programática que se iniciou em 1989 na Frente Brasil Popular. Eduardo fez aquele movimento porque Dilma era candidata a reeleição e não tinha como ele manter a aliança com o PT.

Eduardo tomou o caminho da perdição, como diria Arraes, se juntando ao DEM, PSDB, PMDB e PPS para robustecer a coligação de Paulo Câmara. O fatídico acidente quebrou os planos de Eduardo e do PSB, mas viabilizou a vitória de Paulo Câmara, um técnico competente que nunca tinha sido sequer vereador. Sem Eduardo, Paulo teve que liderar uma ampla frente que não durou nem um ano em harmonia, tendo problemas entre o PSB e demais partidos da finada União por Pernambuco.

Os problemas chegaram a um patamar insustentável que dá margem para a certeza de que o afastamento é irreversível. Não há no horizonte possibilidade de o governador fazer uma recomposição com lideranças e partidos que foram enxotados do governo. Diante deste cenário, não há outro caminho senão Paulo Câmara retomar as origens do PSB, formando uma aliança com PT, PDT e PCdoB no estado, e apoiar o candidato do PT a presidente da República em 2018.

Optar pelo discurso de esquerda por parte do governador é tentar que os movimentos sociais, que são amestrados por Lula, fiquem pelo menos em silêncio ao longo dos meses. Defender a Chesf, hostilizar a privatização e outros temas que podem ser de interesse da população é o melhor caminho. O governador também precisará, em seu guia, fazer a desconstrução dos adversários, para levá-los ao patamar da sua rejeição.

Para que o projeto de reeleição tenha viabilidade, urge a necessidade de não perder o apoio do PP, PR e PSD, que a essa altura serão fundamentais para o palanque de Paulo Câmara, não só pelo tempo de televisão que é fundamental para defender o seu pirão, como também para ter nomes expressivos em termos eleitorais como Eduardo da Fonte, André de Paula e Sebastião Oliveira. Os trunfos de Paulo serão Lula e o peso da máquina na busca pela reeleição.

Antecipação – Foi neste blog que você leu em primeira mão sobre a ida de Fernando Bezerra Coelho para o PMDB no dia 16 de junho. Furamos toda a imprensa local e nacional, e em pouco mais de dois meses a informação se confirmou. Ontem o senador, que havia se desfiliado do PSB na terça, formalizou seu ingresso no PMDB para disputar o governo de Pernambuco em 2018.



Edmar Lira


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