quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Destino de Jarbas Vasconcelos pode ser a aposentadoria 

Dono de uma das mais vitoriosas trajetórias políticas de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos conseguiu ser tudo o que um político poderia ser em Pernambuco em cinco décadas de vida pública, sendo deputado estadual, federal, prefeito do Recife, governador de Pernambuco, senador da República e presidente nacional do PMDB.

Ganhou e perdeu eleições, perdeu o Senado em 1978, o governo em 1990 e 2010, mas venceu a prefeitura do Recife em 1985 e 1992, o governo de Pernambuco em 1998 e 2002 e o Senado em 2006 e teve uma trajetória marcada pela seriedade dos seus atos. Por mais que haja questionamentos quanto a alguns posicionamentos políticos, é inegável para o contexto histórico o que Jarbas Vasconcelos representa para Pernambuco.

Prestes a perder o comando do PMDB de Pernambuco, atualmente presidido pelo seu afilhado Raul Henry, Jarbas poderá ter que se abrigar no PSD, atualmente comandado por André de Paula. Jarbas tem líquido e certo um mandato de deputado federal em 2018 caso busque a reeleição, porém tende a obrigar Raul Henry a tentar a reeleição de vice-governador ou um mandato de deputado estadual, pois não há espaço eleitoral para os dois se elegerem para a Câmara Federal.

Se disputar o Senado, Jarbas estará entrando numa bola dividida que não lhe dá a menor garantia de lograr êxito. Se Paulo Câmara estivesse bem-avaliado e com a reeleição encaminhada, seria natural que Jarbas buscasse o Senado e fosse favorito ao posto. Porém, como Paulo Câmara terá que fazer das tripas coração para buscar um novo mandato, Jarbas também teria o mesmo nível de dificuldade. Do alto dos seus 75 anos, Jarbas não tem mais fôlego e disposição para entrar num jogo duríssimo pela Câmara Alta, nem é do seu feitio ficar implorando atrás de votos.

Talvez seja este o momento de fazer uma reflexão e tomar a difícil decisão de pendurar as chuteiras, garantindo para o contexto histórico o fato de ter terminado a vida pública com o respaldo de uma bela votação em 2014 quando atingiu quase 230 mil votos para deputado federal. O jogador de futebol tem que saber o momento de parar, e na política não é diferente. É preferível que Jarbas se espelhe em Roberto Magalhães que deixou a vida pública em 2010 sem experimentar uma derrota do que seguir o destino de Marco Maciel que nunca havia perdido nenhuma eleição e no mesmo ano acabou sendo derrotado para o Senado.



Edmar Lira


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