quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Mendonça Filho (DEM) quer disputar o governo em 2018
Eleito deputado estadual em 1986, Mendonça Filho construiu sua trajetória sempre amparado no prestígio político do pai, o ex-deputado federal José Mendonça, tendo sido reeleito em 1990, e chegou ao mandato de deputado federal em 1994. Todos os mandatos de Mendonça foram conquistados pelo PDS/PFL/DEM, é um caso raro de fidelidade partidária, porém ele sempre teve protagonismo no partido, tanto que assumiu a vice na chapa de Jarbas Vasconcelos em 1998, talvez se não tivesse prestígio no partido, não estivesse até hoje na mesma sigla.

Depois de oito anos na vice de Jarbas Vasconcelos, Mendonça teve a primeira chance de disputar em faixa própria uma eleição majoritária. Apesar de muito preparado, Mendonça se mostrou um candidato tímido e muito frágil politicamente em 2006 quando sentado na cadeira de governador foi derrotado por mais de um milhão de votos por Eduardo Campos no segundo turno. Aquela seria a primeira de três derrotas majoritárias.

Nas eleições de 2008, já sem mandato, caso raro em 22 anos de vida pública, Mendonça disputou a prefeitura do Recife. Apesar de ter obtido uma boa votação na capital na eleição anterior, foi incapaz de angariar um único partido para a disputa. Mesmo isolado, e sendo novamente derrotado, Mendonça saiu com mais experiência e foi considerado um gigante naquele pleito, uma vez que enfrentou, além do isolamento, três máquinas em torno de João da Costa.

Seu grande equívoco foi em 2012, quando novamente isolado decidiu entrar numa nova aventura majoritária. Foi avisado por quem gostava dele que não era o momento de ser candidato, que deveria se preservar de uma nova derrota, fez ouvido de mercador e entrou numa barca furada. Ficou com 2,24% dos votos válidos, com menos de 20 mil votos. O resultado parecia ter colocado fim na sua trajetória política. Mendonça já havia perdido em 2011 seu mentor político, e aquela terceira derrota majoritária seria a pá de cal na sua vida pública.

O resultado foi tão ruim que ele foi para a reeleição de deputado federal em 2014 desacreditado por muita gente, e acabou sendo o penúltimo federal a se eleger na Frente Popular, e só chegou ao mandato porque fez uma verdadeira operação de guerra para poder se eleger, pois havia prognósticos de que ele poderia ficar numa suplência, o que seria de fato um grande prejuízo político e eleitoral, mais um para a coleção. Salvo de mais um vexame, Mendonça fez valer o posto de líder do Democratas na Câmara, e começou a sua reconstrução política.

Foi um dos principais articuladores do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados e como prêmio ganhou o ministério da Educação. Era a chance de ouro de Mendonça de renascer das cinzas como uma fênix. Ele não se fez de rogado e abraçou com unhas e dentes a oportunidade que a vida pública estava lhe dando. Sentado na cadeira, se mostrou um grande ministro, quebrou resistências e hoje é considerado um dos melhores ministros da Educação da história do Brasil.

Mendonça estava em articulações para ser candidato a deputado federal novamente e se preservar para ser candidato a prefeito do Recife em 2020, mas considerou que Fernando Bezerra Coelho trocou os pés pelas mãos e quis lhe atropelar. Virou uma fera ferida e agora colocou na cabeça que será candidato a governador de Pernambuco em 2018. Mendonça inclusive já está montando equipe de marqueteiros, fazendo contatos partidários e preparando o terreno para tentar pela segunda vez em doze anos o Palácio do Campo das Princesas, tentando a quarta disputa majoritária na sua carreira. 

Se vai dar prosseguimento à ideia e logrará êxito na empreitada são outros quinhentos, mas uma coisa é fato: com Fernando Bezerra Coelho ele não quer marchar mais.


Edmar Lira


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