quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Professora é acusada de um suposto abuso em um curso de direito contra uma acadêmica que foi impedida de fazer uma prova por estar uniformizada de PM
O assunto está rendendo e muito nas redes sociais 

Na tarde desta terça-feira, 31 de outubro, uma policial militar que estuda o curso de Direito na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) em Guarabira foi impedida, pela professora, de fazer provas. Motivo: a policial estava fardada, pois havia acabado de sair de serviço (ou foi autorizada pelo seu superior a ir à universidade, o que dá no mesmo).

Usurpada em seu direito, a policial comunicou o fato à PM. Uma guarnição foi até a universidade para saber os detalhes do ocorrido, e o episódio arranca comentários e opiniões nada favoráveis à professora apontada como causadora do conflito.

Preservemos nomes e imagens, para respeitarmos, à risca, o Direito. Mas se o leitor quiser saber mais sobre essa jovem, aqui vai um breve perfil. Há alguns anos, por vocação e/ou necessidade, ela decidiu ingressar na Polícia Militar da Paraíba. Passou por várias etapas do certamente – muitas delas bem rigorosas –, até chegar o grande dia de vestir sua farda.

Não foi fácil. Nove meses de treinamento duro, disciplinado, rotina bem diferente da estampada nas nossas universidades (por exemplo). Acordava cedo e dormia tarde. Quando dormia. Por vezes, virava a noite em instruções que levavam toda a futura tropa à exaustão.

Sabe o que é “flexão de punho cerrado”? Pois é. Dói bastante. E no chão quente, mais ainda. Fome, sede, gás lacrimogênio. Há quem enxergue exagero. Há quem aponte necessidade. Enquanto não se chega a um consenso, lá estava a policial preparando corpo e espírito para [tentar] combater o crime no país mais assassino do planeta. É sofrido, mas ela gosta. Ou precisa.

Conclui o curso de formação e vai às ruas. De farda. Agora é vida real. Agora, ela sente o peso do pano caqui quase cinza abusar da lei da gravidade. Agora, ela sabe o que é ser polícia no Brasil.

Sindicalização? Não pode. Se fosse professora universitária (por exemplo), poderia gozar o todo santo mês (ou mais) de greve que esse sortudo segmento profissional usufrui por ano. A policial não pode. Não tem esse ‘direito’. A corporação da qual faz parte não permite.

Reclamar da falta de estrutura que porventura prejudique seu trabalho? Não pode. É indisciplina. Fere o implacável Regimento Disciplinar. “A regra é clara”.

Candidatar-se a um cargo político? Até pode. Mas deve sair da corporação. “Pedir baixa”, como se diz. Não tem o mesmo direito de um professor, por exemplo, que volta a dar aulas depois de um, dois, três ou mais mandatos aos quais for eleito.

Mas mesmo assim, ela gosta. Ou precisa. E por uma ou outra razão, decidiu cursar ‘Direito’ na UEPB de Guarabira. Como policial – “agente da lei” –, ela precisa se inteirar mais sobre os direitos e deveres das pessoas. No dia a dia, essa moça já tenta, dentro de suas possibilidades, garantir a boa convivência social. Queria ela se dependesse apenas dela. Para ampliar o mundo ao seu redor, busca no ‘Direito’ uma alternativa de aperfeiçoar o seu trabalho.

Mas eis que num belo dia 31 de outubro de 2017, as portas se fecham justamente no espaço onde se ensina o ‘justo’. Nem sua própria corporação, com o seu rigoroso e apedrejado sobrenome ‘militar’, a proibiu de ampliar, fardada, seus conhecimentos sobre o que é ‘Direito’.

Aqueles calos de sangue nas mãos que essa menina teve de soprar à noite, escondida, para aliviar as dores, hoje só lhe trazem boas lembranças. Às vezes ela até rir com a ardência que o gás de pimenta causou em seus olhos, no treinamento da PM.

O que ela dirá daqui a alguns anos sobre sua experiência de hoje no curso de ‘Direito’?


Rota Cariri Qap


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