sábado, 24 de março de 2018

 Justiça condena José Augusto Maia por improbidade administrativa

Chegou ao fim a tramitação em primeira instância de uma ação civil que apurava a conduta do ex-prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, José Augusto Maia (AVANTE), no conhecido “escândalo da merenda”. A denúncia foi apresentada a justiça em 2009 e tramitou por nove anos em primeira instância.

O Blog do Ney Lima teve acesso com exclusividade ao teor da sentença proferida na Vara da Fazenda Pública em Santa Cruz do Capibaribe, nesta sexta-feira (23).

O ex-prefeito José Augusto Maia juntamente: Severino Manoel de França, Josemar Clemente da Silva, Roberto José de Lima Aragão, Rosani Aragão dos Santos e Helder Viegas Monteiro de Carvalho, pessoas que à época dos fatos faziam parte da comissão de licitação, foram condenados ao ressarcimento integral do dano causado ao erário, no valor de R$ 225.482,02, aplicada de forma solidária, além de calculada com base no valor dos danos causado aos cofres públicos pelo suposto esquema. Os valores do ressarcimento atualizados devem ultrapassar R$ 1 milhão.

“Restou comprovado que o Município de Santa Cruz do Capibaribe, através do seu ordenador de despesas (José Augusto Maia – ex-prefeito do município) e membros da comissão de licitação (demais demandados), fraudou diversos processos licitatórios que resultaram em dano ao erário público com o objetivo de abjudicar o objeto de licitação (fornecimento de merenda escolar) em favor da empresa Josefa das Dores Ramos – ME, cuja proprietária é uma pessoa surda-muda que não exerce função gerencial da empresa, assim como inexiste estabelecimento empresarial no endereço apresentado na documentação da empresa”, relatou o juiz em trecho da sentença.

Na mesma ação, José Augusto Maia foi condenado a suspensão dos direitos políticos por oito anos.

“O réu agrediu financeira e moralmente a instituição que geriu, promovendo verdadeira delapidação do patrimônio e desmoralizando a atuação daqueles que tem o bem comum como prioridade de tutela. (…) É de extrema necessidade punir o réu por esta conduta, impossibilitando-o a ascensão a outro cargo público por um período necessário”, defende o juiz na sentença. José Augusto Maia e os demais envolvidos ainda podem recorrer da decisão.

Entenda - O escândalo da merenda estourou no ano de 2009 quando o Ministério Público de Pernambuco protocolou na justiça ações cíveis e criminais a partir de investigação de fraudes em licitações ocorridas durante o governo de José Augusto Maia, em Santa Cruz do Capibaribe.

Parte das investigações revelou que uma empresa aberta em nome de uma pessoa surda- muda foi usada em contratos com a prefeitura para o fornecimento de merenda escolar.

As investigações apontaram que a empresa registrada com endereço no sítio Cacimba de Baixo na realidade não existia. Através de um tradutor de libras foi revelado em depoimento que a pessoa que constava proprietária relevou nunca ter participado de nenhuma empresa e que também nunca forneceu nenhum tipo de mercadoria a prefeitura, tampouco recebeu pagamentos.

A Justiça apurou também que as assinaturas da suposta proprietária da empresa eram falsificadas.


Outra condenação - Em novembro de 2016, José Augusto Maia foi condenado em primeira instância na Justiça Criminal a mais de oito anos de prisão em regime fechado em um processo criminal que investigou, também, fraudes na contratação do fornecimento de merenda escolar e envolvimento de empresas fantasmas, fatos supostamente ocorridos em 2006, quando José Augusto Maia era prefeito de Santa Cruz do Capibaribe. A gestão teria inclusive favorecido uma empresa pertencente ao filho do vice-prefeito da época, José Elias Filho.

José Augusto recorreu da decisão em liberdade e aguarda julgamento no Tribunal de Justiça de Pernambuco.


Ney Lima


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