domingo, 11 de março de 2018

O dilema do Senador Armando Monteiro nas eleições de outubro
O senador Armando Monteiro sempre sonhou em ser governador de Pernambuco, mesmo tendo uma carreira política curta, apenas 20 anos, ele coleciona três mandatos de deputado federal, um de senador e uma passagem pelo ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Ensaiou em 2006 uma candidatura a governador, mas acabou recuando. Em 2010 se elegeu senador como o mais votado daquele pleito, e em 2014 disputou o governo e foi derrotado por Paulo Câmara.

Nas eleições deste ano, Armando encontra-se num dilema, pois está em segundo lugar na pesquisa Múltipla divulgada ontem, onze pontos atrás do governador Paulo Câmara, no cenário mais plausível que é o enfrentamento no mano a mano contra o governador. Já na disputa pelo Senado, figura numa posição bastante confortável, mas com um indicativo de que se for para a disputa tende a crescer mais.

Pela configuração do palanque da Frente Popular que está se desenhando, onde deverá ter um petista, João Paulo ou Humberto Costa, ao lado de Jarbas Vasconcelos na chapa pelo Senado, é possível que Armando além de abocanhar os votos do palanque da oposição, poderá ser o segundo senador de eleitores de Humberto ou João Paulo e de Jarbas, o que daria uma chance real de renovar seu mandato em outubro. Em 2010 ele recebeu muitos votos híbridos e acabou suplantando Humberto Costa e sendo o mais votado, então não seria surpresa Armando novamente ganhar a simpatia de eleitores de todas as matizes ideológicas,

Por outro lado, Armando vem sendo forçado a disputar o governo tanto pelos seus aliados petebistas, quanto por Silvio Costa, Ricardo Teobaldo, Mendonça Filho, Daniel Coelho e João Lyra Neto, que possuem uma preferência clara pelo seu nome na disputa interna com Fernando Bezerra Coelho pela indicação. Armando disputando o governo, tem a ciência de que mesmo enfrentando um governador não muito bem-avaliado, estará do lado oposto a uma máquina que ganhou todas as eleições desde 2006 no estado, incluindo as três disputas pela prefeitura do Recife, e que naturalmente sabe fazer campanha como poucos.

Político experiente, e com o sentimento da experiência de quem já tem quase 70 anos de idade, Armando Monteiro pesará todos os fatores para poder entrar neste jogo, e o principal deles é a solidariedade de seus aliados no processo, pois precisará da presença de Fernando Filho, Bruno Araújo e Mendonça Filho na majoritária para ter a garantia que não será abandonado pelos seus aliados no decorrer da campanha. Armando pode até perder a disputa de outubro, porque em política todos os cenários estão postos, mas ele não pode entrar neste projeto sozinho, precisa ter a tropa na chapa porque se perder, perde todo mundo, o que naturalmente minimiza o risco de derrota e garante o empenho de todos os atores para que ele possa derrotar Paulo Câmara em outubro.

Qualquer outro cenário que se coloque sem a presença dos atores citados na chapa, será um indício de que eles não confiam no projeto e que poderão abandoná-lo na hora H. Armando, que não tem mais idade pra entrar em aventura, levará isso em conta para decidir se disputa mesmo o governo ou tentará renovar sua cadeira de senador que é de longe um caminho muito menos tortuoso.


Edmar Lira


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