quinta-feira, 12 de abril de 2018

Candidatura de Marília Arraes pode diminuir votação proporcional do PT
O movimento de indefinição no PT estadual está gerando uma insegurança na base do partido. Uma eventual candidatura da vereadora Marília Arraes ao Palácio do Campo das Princesas, avaliam petistas, deixaria em uma situação difícil os candidatos proporcionais do partido de Lula no estado.

Os sinais, inclusive, já estão claros para os fundadores do partido, tanto que essa incerteza que paira na legenda foi parte da motivação para o ex-prefeito do Recife, João Paulo, e o ex-vereador Osmar Ricardo trocarem o PT pelo PCdoB depois de anos de militância. Outro que entra nessa cota é o deputado estadual Paulinho Tomé, que também pediu desfiliação porque luta por sobrevivência política.

E os danos não param por aí. A indefinição nas hostes petistas pode acabar levando ao sacrifício dois quadros importantes da sigla. São eles: a deputada estadual Teresa Leitão e o pré-candidato à Alepe, Doriel da Fetape, que, em uma chapa esvaziada, podem ficar de fora da lista dos eleitos para a Casa Joaquim Nabuco, de acordo com um petista em reserva.

Teresa vem do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), entidade com forte representação na base petista e atuação sindical destacada. O sindicato, em um passado recente, já contou com duas deputadas: a petrolinense Isabel Cristina, também falecida, além de Teresa.

Já Doriel representa outro alicerce petista, os trabalhadores do campo; tradicional reduto de voto da sigla, que já elegeu, por exemplo o ex-deputado falecido Manoel Santos. Ainda no campo da Alepe, está o ex-prefeito de Águas Belas por dois mandatos, Genivaldo Menezes, que foi para o PCdoB tentar a sobrevivência.

Quando a análise parte para o plano federal, o cenário de insegurança gera mais preocupação ainda. Sem nenhum deputado federal por Pernambuco, o PT corre o risco de passar pelo menos mais quatro anos sem representação na Câmara, uma vez que a pré-candidatura de Marília somada ao isolamento do partido têm impedido o surgimento de candidaturas competitivas de deputado federal. Sem ter um cenário concreto à frente, potenciais candidatos ou têm desistido ou optam por outra agremiação.

Como estamos observando, essa indefinição ainda vai deixar muito petista de cabelo em pé no estado. Enquanto Marília luta para se viabilizar na disputa majoritária, o PT míngua a cada dia, deixando os verdadeiros petistas cada vez mais preocupados com o esfacelamento do partido.


Edmar Lira


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