sábado, 12 de maio de 2018

Candidatura oposicionista virou batata quente 
No evento oposicionista do Minha Casa Minha Vida em agosto do ano passado, a oposição começou a tomar corpo e havia uma expectativa em relação a vários nomes para a disputa, dentre eles os dois senadores Armando Monteiro e Fernando Bezerra Coelho e os então ministros Fernando Filho, Mendonça Filho e Bruno Araújo. Ali estava sinalizado que a chapa majoritária poderia ser composta com esses nomes e que a partir daquele momento a oposição iria angariar mais partidos e mais apoios para a eleição deste ano.

O primeiro evento, em dezembro, na capital pernambucana serviu para sinalizar que a oposição iria aumentar a cada mês a ponto de chegar fortalecida para o pleito. A sinalização, infelizmente para o grupo, não se confirmou. Os demais eventos não tiveram um único fato novo que demonstrasse a competitividade do projeto pois nenhum partido ou expressiva liderança política que estavam com Paulo Câmara aderiu ao grupo, o que foi fragilizando a construção de um palanque competitivo.

O imbróglio do MDB, que se fosse entregue ao senador Fernando Bezerra Coelho faria dele o candidato natural oposicionista, acabou prejudicando novas movimentações da oposição, porque até o presente momento não existe a garantia de que o partido ficará com ele, e consequentemente o deixou fora da chapa majoritária.

O deputado Bruno Araújo, que poderia ser uma alternativa para o Senado, desde que deixou antecipadamente o ministério das Cidades, acabou fragilizando-se do ponto de vista majoritário. Apesar de não dizer oficialmente, ninguém na própria oposição acredita que ele trocará uma reeleição de federal encaminhada por uma aventura majoritária.

Enquanto isso, o ex-ministro Mendonça Filho, que era uma alternativa para o governo, já deu sinais que só deverá entrar na majoritária para disputar o Senado, mesmo assim, o sonho de Mendonça ainda é ser alçado ao plano nacional como candidato a vice-presidente, e se isto ocorrer ele caminha para aceitar a missão.

Restaram o ex-ministro Fernando Filho, que sinalizou disposição para a disputa mas queria que a definição ocorresse de imediato, o que ainda não aconteceu, e isso acaba virando um óbice para o seu nome, e o senador Armando Monteiro, que seus próprios aliados cogitam ficar de fora do segundo turno e apoiar Marília Arraes, vide a declaração do líder da oposição Silvio Costa Filho. Armando, inclusive, só deverá entrar na empreitada se sentir alguma condição de disputa e tiver a garantia estrutural para enfrentar o governador Paulo Câmara.

Neste grau de incerteza oposicionista, abrem especulações para a indicação de nomes olímpicos, ou seja, que entrarão no pleito somente para perder a eleição, vide Daniel Coelho, Priscila Krause, Silvio Costa Filho, etc. O sentimento generalizado da classe política é o de que a escolha do nome virou uma batata quente, porque está mais fácil encontrar quem não quer ser candidato do que alguém que efetivamente esteja disposto a enfrentar o PSB.


Edmar Lira


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