quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Analistas já admitem chances remotas de Bolsonaro ser eleito no 1º turno
Diante da alta rejeição dos dois candidatos à Presidência da República com mais intenção de votos, é possível que o Brasil volte a presenciar algo que aconteceu pela última vez 20 anos atrás: a definição do vencedor da disputa logo no primeiro turno. Embora a probabilidade de que isso aconteça seja considerada baixa pelos analistas, a hipótese não é completamente descartada. A depender da quantidade de votos nulos e brancos e da taxa de abstenção — além de uma eventual migração de votos na última hora —, o apoio de 36% do eleitorado nas pesquisas de intenção de voto pode resultar em mais de 50% dos votos válidos na eleição.

Por exemplo, um candidato que chegasse a 36% das intenções de voto nas pesquisas, que levam em conta nulos e brancos, contaria com cerca de 53 milhões de votos. Por diversos motivos, nem todos os brasileiros que estão aptos a votar comparecem de fato às urnas. Nas eleições de 2014, o índice de abstenção foi de 19,4%. Contando com votos nulos (5,8%) e brancos (3,8%), a porcentagem de eleitores em potencial que não participou do pleito foi de 29%.

Caso a mesma porcentagem do eleitorado não vote este ano ou prefira abrir mão da escolha, por meio de votos brancos ou nulos (que, na prática, têm o mesmo efeito e são descartados da contagem), os 53 milhões, em um universo de 104,6 milhões que vão votar, passarão a corresponder a 50,7% dos votos válidos. Esse total garante a vitória já no próximo domingo, já que, para ser eleito no primeiro turno, o candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um.

O candidato mais próximo disso, atualmente, é Jair Bolsonaro (PSL). Na pesquisa Datafolha divulgada ontem, ele contava com 32% das intenções de voto. Para isso, seria necessário atrair quase 4 milhões de brasileiros até domingo, o que ainda é visto como improvável por especialistas. “Acho difícil que aconteça, mas não é impossível. Tem muita gente pedindo o voto útil para tirar o adversário do segundo turno. Pode acontecer o efeito de uma corrida de votos para Bolsonaro”, pondera o especialista em direito eleitoral Daniel Falcão, do Instituto de Direito Público (IDP).

Para o cientista político Leonardo Barreto, da Factual Informação e Análise, as chances de a eleição presidencial ser decidida de forma definitiva no próximo domingo é de 2%. O cientista político Murillo Aragão, da Arko Advice, também vê chances baixas de um desfecho sem o segundo turno. Há duas semanas, porém, a consulturia calculava 30% de possibilidade de Bolsonaro vencer de primeira — com viés de alta. “Sempre é possível que ocorra uma variação expressiva. Mas, por ora, mantenho a aposta de que Jair Bolsonaro e Fernando Haddad vão para o segundo turno”, afirmou Aragão.


Informações Correio Brasiliense


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