terça-feira, 9 de outubro de 2018

Uma vitória maiúscula da articulação política 
O governador Paulo Câmara foi eleito em 2014 na esteira de uma tragédia após a morte do ex-governador Eduardo Campos. Sem experiência eleitoral e política, Paulo teve o desafio de governar o estado sucedendo o maior governador da história do estado. Além da falta de traquejo, Paulo enfrentou a maior crise econômica dos últimos anos que impactou na gestão liderada por ele no estado.

Foram quatro anos de vacas magras, com muitos afirmando que ele não teria condições de se recuperar para vencer a disputa. Como se não bastasse, Paulo viu uma ameaça real a sua reeleição quando o MDB correu risco de trocar de comando, além do mais viu a pré-candidatura de Marília Arraes ganhar respaldo eleitoral e político.

Era preciso articulação e o Palácio lutou com as armas que tinha, primeiramente na questão envolvendo o MDB. Raul Henry e Jarbas Vasconcelos foram para o jogo do tudo ou nada, judicializando a disputa pelo comando do partido, e acabaram evitando que ele fosse para as mãos do senador Fernando Bezerra Coelho e consequentemente para a oposição. Aquele movimento foi de vital importância para fortalecer o governo e fragilizar o grupo oposicionista, que se tivesse dado errado, o governo teria muitas dificuldades.

Na questão do PT, o risco de Marília Arraes foi se tornando cada vez mais alto, e na véspera da decisão, uma articulação envolvendo o PCdoB nacional retirou Marília do jogo, e trouxe Lula para o palanque governista. Sem Marília no jogo, foi a hora de formar a chapa majoritária. Precisou dar espaço a figuras antagônicas, Jarbas Vasconcelos e Humberto Costa, e Luciana Santos, que não tinha sido eleita na prefeitura de Olinda.

Paulo enfrentou além dos desafios, políticos que estavam mais poderosos, como os três ministros que juntos tinham tanta força quanto a sua caneta de governador. Mendonça Filho, Fernando Filho e Bruno Araújo assumiram ministérios relevantes em Brasilia, e se juntaram a Armando Monteiro para enfrentá-lo nas eleições deste ano. Armando que havia sido derrotado em 2014, foi o nome que o Palácio esperava enfrentar desde o começo.

A campanha começou e as pesquisas já davam sinais de que a estratégia do governo surtia efeito, com o palanque de Lula x o palanque de Temer, narrativa que no começo deu certo, mas era preciso mais. Paulo Câmara foi para a eleição e conseguiu abrir vantagem, porém as pesquisas apontavam que a fadiga de material já estava dando seus sinais. E o ponto crítico da campanha foi quando a diferença entre Paulo e Armando se reduziu para quatro pontos, numa condição de empate técnico.

Em vez de se desesperar, a Frente Popular iniciou uma narrativa mais agressiva a respeito da reforma trabalhista, que logo surtiu efeito, e a vantagem de Paulo Câmara se elasteceu até a véspera da eleição, mas um novo desafio se fez presente, que foi o crescimento abrupto de Jair Bolsonaro em todo o Brasil e não foi diferente em Pernambuco. O alerta estava pronto, mas a Frente Popular foi para o jogo com as armas que tinha, lutou com o que poderia, e garantiu a reeleição de Paulo Câmara, bem como a vitória da chapa completa.

A Paulo Câmara, a sensação de ser o terceiro governador reeleito da história de Pernambuco, e a responsabilidade que os pernambucanos lhe deram. Mesmo com um número muito menor do que em 2014, Paulo Câmara teve uma vitória maiúscula do ponto de vista das dificuldades que se apresentaram. Ele agora terá mais quatro anos, ao lado de Jarbas Vasconcelos e Humberto Costa e de toda a Frente Popular, para fazer mais e melhor, agradecendo e retribuindo a confiança que os pernambucanos lhe conferiram. Foi uma vitória de quem se superou e acreditou no seu potencial. Paulo se consolida como a principal liderança de Pernambuco e mostrou que assim com Eduardo, ele também é Madeira de lei que cupim não rói.


Edmar Lira


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