quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Indecisão do governo pode fortalecer novo Severino Cavalcanti 
O presidente eleito Jair Bolsonaro está em fase de conclusão da montagem do seu ministério mas nem bem encerrou esta situação, o futuro governo já tem outra demanda para se preocupar, trata-se da eleição para presidente da Câmara dos Deputados onde Rodrigo Maia já trabalha pela sua recondução, mas ele não é o único no páreo, o pernambucano Luciano Bivar, do partido de Bolsonaro, segue atuando no objetivo de ficar cacifado para a disputa, e pelo menos dois nomes surgem com movimentos. O deputado João Campos (PRB/GO) está atuando neste sentido e o deputado Fábio Ramalho (MDB/MG), atual vice-presidente surge como uma novidade no jogo.

Numa dificuldade do governo de encontrar um nome de consenso em 2005, Severino Cavalcanti, integrante do baixo clero conseguiu construir sua candidatura e acabou derrotando o preferido do governo, que era Luís Eduardo Greenhalgh. A ascensão de Severino teve tiro curto, pois no mesmo ano de 2005 ele viria a deixar a presidência da Câmara por conta do escândalo do mensalinho, mas a sua vitória mostrou que se o governo não agir pode ser surpreendido.

Em 2019 a situação dependerá do Palácio do Planalto, que poderá agir de tal forma que um nome com envergadura para o posto seja colocado na presidência da Casa, e atualmente não há nome com melhor condição política que o atual presidente Rodrigo Maia, que já demonstrou traquejo e jogo de cintura no exercício do cargo. Ocorre que como o governo está deixando frouxo, poderá haver uma disputa fratricida e existir um segundo turno, e o risco Severino mora neste segundo turno.

O deputado Fábio Ramalho é conhecido como Fabinho Liderança, circula muito bem no baixo-clero, hoje apelidado de centrão, e pode representar na eleição da presidência da Câmara dos Deputados uma reedição do caso Severino. Para o governo, a ascensão de um nome que não tenha a envergadura de Rodrigo Maia poderá ser sinônimo de muita confusão, uma vez que o poder legislativo terá uma importância vital para a implementação das reformas e se ele for o epicentro de escândalos, a situação do presidente Bolsonaro poderá se complicar logo no começo do seu governo. 

Todo cuidado é pouco e quanto menos houver divisão na base governista menor o risco de acontecer uma situação de desconforto para o presidente, portanto é fundamental que Bolsonaro dê um freio de arrumação na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados.


Edmar Lira 


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