quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Paulo Câmara tem quatro anos para se consolidar como liderança política 
O governador Paulo Câmara, então secretário da Fazenda de Eduardo Campos, depois de ter sido titular das pastas de Administração e Turismo, foi eleito em 2014 sem almejar o cargo. Ele foi ungido por Eduardo após uma disputa fratricida entre postulantes ao cargo, e acabou caindo no colo de Paulo a indicação.

A vitória de 2014 teve o reconhecimento do povo pernambucano ao exitoso governo Eduardo Campos e o fatídico acidente que vitimou o ex-governador impulsou Paulo Câmara rumo ao Palácio do Campo das Princesas. Naquela ocasião, Paulo tinha o aparato de uma robusta Frente Popular e um claro desejo de continuidade. Apesar disso, ele pegou quatro anos de muitas dificuldades, no meio do caminho um impeachment e a troca de governos, porém, o fato comum de ele estar como oposição tanto a Dilma Rousseff quanto a Michel Temer, o que agravou a dificuldade para entregar resultados aos pernambucanos.

Mesmo com tantos problemas, Paulo Câmara viu a Frente Popular reeleger Geraldo Julio em 2016, no primeiro desafio sem Eduardo Campos e a comoção da sua morte, e teve o seu maior teste de fogo em 2018 quando precisou fazer muita articulação política antes de entrar efetivamente na disputa. Paulo, visto por muitos como técnico, mostrou que tinha sensibilidade política e capacidade de ler o jogo. Acabou vencendo no primeiro turno e contrariando aqueles que apostaram que ele estava inviabilizado.

Empossado ontem para o segundo mandato, o governador terá quatro anos para arrumar ainda mais a casa e fazer as entregas que não foram possíveis entre 2015 e 2018. Se lograr êxito na empreitada, Paulo Câmara, que ainda é jovem, terá condições de trilhar um caminho longevo na política pernambucana, uma vez que é nítida a sua capacidade de unir e de trabalhar por Pernambuco.

Fragilidade – A avaliação geral da classe política é que de toda a chapa majoritária da oposição, Armando Monteiro, Bruno Araújo e Mendonça Filho, o terceiro foi o mais fragilizado do processo eleitoral do ano passado. Além de perder o Senado, ele viu seus dois candidatos proporcionais saírem derrotados. Há quem aposte que depois que encerrar o mandato em fevereiro, ele ainda poderá perder o comando do partido no estado.

Cortesia – O deputado federal eleito Silvio Costa Filho, mesmo sendo líder da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco, fez questão de prestigiar a posse de Paulo Câmara. A postura republicana de Silvio foi bastante elogiada pelos colegas da base governista que reconheceram o gesto de cortesia do deputado, que é um político diferenciado.

Liberdade – A convocação de alguns secretários municipais para a equipe de Paulo Câmara deixou o prefeito Geraldo Julio para articular a montagem do seu secretariado com vistas a 2020 quando estará em jogo a sua sucessão. Quem alinhavar apoio para o candidato de Geraldo tem tudo para garantir espaço significativo na gestão municipal.

Ato falho – Durante o seu discurso de posse na Assembleia Legislativa, o governador Paulo Câmara esqueceu de mencionar o ex-presidente da Casa, deputado Guilherme Uchoa, falecido no ano passado. O atual presidente, deputado Eriberto Medeiros, por sua vez, fez questão de enaltecer o colega e antecessor.

Elogios – O novo secretário de Imprensa, Eduardo Machado, tem sido muito elogiado pelos colegas que atuam na área. De fácil acesso, sempre disposto a contribuir, Machado foi uma das melhores escolhas que o governador Paulo Câmara realizou na formação da equipe para este segundo governo.


Edmar Lyra


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