quarta-feira, 29 de maio de 2019

Escassez de líderes dificulta renovação em Pernambuco 
A política pernambucana forjou muitas lideranças que fizeram história no estado nos mais variados cargos. Tivemos nomes como Agamenon Magalhães, Miguel Arraes, Nilo Coelho, Moura Cavalcanti e Marco Maciel, mais recentemente Eduardo Campos, Jarbas Vasconcelos, Sergio Guerra e Guilherme Uchoa fizeram história nos cargos que ocuparam, porém a partida repentina de Eduardo, atrelada a sua forte capacidade de liderança, deixou Pernambuco com a sensação de ausência de líderes políticos arrojados.

O governador Paulo Câmara foi ungido por Eduardo Campos para ocupar o Palácio do Campo das Princesas, porém nunca passou pela sua cabeça ser governador de Pernambuco. Era um técnico competente, que por onde passou realizou trabalhos acima da média, e acabou sendo escolhido para a sucessão daquele que foi o maior governador da história de Pernambuco. Como se não bastasse, Paulo Câmara chegou ao Palácio do Campo das Princesas sem contar com o seu padrinho político, que faleceu num trágico acidente aéreo, no auge da sua carreira política.

Passados quase cinco anos da morte de Eduardo Campos, ainda que tenhamos nomes qualificados como os senadores Fernando Bezerra Coelho, Jarbas Vasconcelos e Humberto Costa, e os prefeitos Geraldo Julio, Miguel Coelho e Anderson Ferreira como expoentes da política atual, é indiscutível que exceto Jarbas Vasconcelos, que já ocupou o Palácio do Campo das Princesas, falta a eles o cargo de governador, mais do que isso, realizar uma gestão exitosa no cargo que possa ter uma desenvoltura parecida com a de Eduardo para serem alçados à condição de líderes completos.

Se há este sentimento na classe política a respeito dos nomes citados, ainda é latente a falta de novos nomes que possam apontar para um caminho tal como Arraes, Agamenon, Eduardo, Nilo, Maciel e tantos outros conseguiram, uma vez que há um desgaste generalizado da classe política perante a sociedade. Se antigamente havia o desejo de pessoas bem-sucedidas na vida empresarial de ingressar na política, hoje a criminalização constante da atividade tem afastado pessoas que têm visão estratégica e que possam pensar a política de forma global e efetiva. 

Portanto, quem já é político que aprende o caminho das pedras, apesar das críticas que recebe, permanece na atividade, e quem pode representar uma efetiva mudança não quer a exposição de uma candidatura ou de um mandato porque ainda que tenha boas intenções e bons projetos, está fadado a ser levado para a vala comum e ser atacado constantemente porque a atividade política foi completamente criminalizada pela sociedade.


Edmar Lyra


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