sexta-feira, 21 de junho de 2019

Quase um terço dos jovens pernambucanos nem trabalha nem estuda
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Quase um terço dos jovens de Pernambuco com idades entre 15 e 29 anos não estuda nem trabalha. Significa que dos 2,18 milhões de pernambucanos nessa faixa etária (o Estado tem 9,2 milhões de habitantes), 29,9% não estavam ocupados nem estudando em 2018. O índice é maior que o registrado no Brasil, 23%, e na Região Nordeste, 29,4%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre educação, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Mas não chamem esses jovens de 'nem nem'”, pediu a pesquisadora Marina Águas, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento (Coren) do IBGE, responsável pela apresentação da pesquisa. “O fato de nem estarem estudando nem trabalhando não significa que sejam inúteis. Uma grande parte das mulheres, por exemplo, está ocupada com o trabalho doméstico, com o cuidado de idosos e crianças. Há questões de gênero importantes por trás dessa estatística”, destaca.

Entre os pernambucanos do sexo masculino e desse grupo etário, 24,2% não estudam e não possuem ocupação. Nas mulheres do Estado, também nessa faixa etária, 35,5% exibem a mesma condição. Nacionalmente, o percentual é de 17,6% e 28,4%, respectivamente. Mayara Dominique Soares, 19 anos, moradora de Águas Compridas, em Olinda, Grande Recife, está em busca de emprego. Parou de estudar na 5ª série do ensino fundamental. Com 16 anos, engravidou.

“Preciso trabalhar. Já deixei currículo em várias lojas e empresas mas está difícil conseguir uma vaga. Pretendo voltar para a escola no ano que vem”, afirma Mayara Dominique, mãe de um menino de 2 anos. Ana Aline Soares, 21, também integra esse grupo e com história parecida. Interrompeu a escola aos 15 anos, quando concluiu o ensino fundamental, porque engravidou.
Três anos depois, retomou a rotina de sala de aula. Terminou o ensino médio ano passado. “Pensei em fazer um curso técnico, mas não tenho como pagar. Moro com meus pais, irmãos e meu filho. Quero fazer faculdade, mas o foco agora é arrumar um emprego. Só meu pai trabalha”, relata Ana Aline.

MOTIVOS; A Pnad mostrou que o Brasil tem 47,3 milhões de jovens, de 15 a 29 anos de idade. Desse total, 13,5% estavam ocupados e estudando; 28,6% não estavam ocupados, porém estudavam; 34,9% estavam ocupados e não estudavam. Finalmente, 23% não estavam ocupados nem estudando. Os percentuais aferidos em 2018, segundo os pesquisadores, são similares aos de 2017.


“Entre os motivos de não estudar, 23,3% das mulheres entre 15 e 29 anos, no Brasil, afirmaram que era porque estavam fazendo afazeres domésticos ou cuidando de pessoas. Entre os homens, essa justificativa foi dada por apenas 0,8%. A maioria do sexo masculino, 47,7%, respondeu que não estava estudando porque trabalhava ou estava em busca de emprego”, explica o analista do IBGE Pernambuco, Marcelo Dantas.

ANALFABETISMO; A Pnad Contínua relevou também que o Brasil tinha, no ano passado, 11,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade sem saber ler nem escrever, o equivalente a uma taxa de analfabetismo de 6,8%. Em relação a 2017, houve uma queda de 0,1 ponto percentual, o que corresponde a uma redução de 121 mil analfabetos. Os pretos e pardos são a maior parcela, 9,1% contra 3,9% dos brancos.

Em Pernambuco, o percentual de pessoas sem saber ler nem escrever era de 11,9%, o que representa 888.179 pernambucanos. “A taxa pernambucana de analfabetismo é a menor da Região Nordeste. No Estado do Maranhão, por exemplo, foi de 16,3% e no Ceará, 13,3%”, ressalta Marcelo Dantas.

A partir da pesquisa, Marcelo destaca que o analfabetismo no País está “fortemente associado à idade”. Quanto mais velho o grupo populacional, maior a proporção de analfabetos, refletindo uma melhora da alfabetização ao longo dos anos. Segundo os números de 2018, eram quase 6 milhões de analfabetos com 60 anos ou mais, o que equivale a uma taxa de analfabetismo de 18,6% para esse grupo etário.

Morador de Santo Amaro, bairro da área central do Recife, José Mário do Nascimento, 57, frequentou a escola até a 1ª série. Mas saiu de lá sem saber nem assinar o nome. “Trabalho desde pequeno. Apanhava papelão, vidro. Com 10 anos já saía sozinho pelas ruas do Recife com uma carroça. Tinha que ajudar em casa, éramos oito irmãos”, relata Mário Nascimento. Hoje ele sobrevive lavando carros. “O estudo fez falta”, lamenta. 


JC


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