sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Paulo Guedes quer transferir Coaf ao Banco Central para blindá-lo de pressão
Ministro de Estado da Economia, Paulo Guedes. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O ministro da Economia, Paulo Guedes, estuda transferir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Banco Central. O objetivo é colocar fim à pressão política no órgão, desde que ele foi transferido às mãos do ministro Sérgio Moro (Justiça).

Em paralelo, Guedes quer dar celeridade ao projeto que dá autonomia ao Banco Central e, com isso, garantir uma “blindagem política ao Coaf”. A aliados ele tem dito que o órgão é atualmente alvo de uma “guerra entre instituições”.

De um lado, vê uma pressão popular pela investigação da classe política e representantes dos demais Poderes. De outro, uma reação das instituições, manifestada por decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e por parlamentares da “velha política” que se queixam de perseguição.

O ministro da Economia vem sendo pressionado pelo Palácio do Planalto, com anuência de Jair Bolsonaro, a demitir o presidente do Coaf, Roberto Leonel, aliado de Moro.

Segundo auxiliares, Bolsonaro está incomodado com o comportamento do comando do Coaf em relação à decisão do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, de suspender investigações criminais pelo país que usem dados detalhados de órgãos de controle —como Coaf, Receita Federal e Banco Central— sem autorização judicial.

Toffoli atendeu a um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente, alvo de investigação realizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

Guedes tem resistido a demitir Leonel e dito que a simples troca de comando não solucionará os problemas.

O ministro já disse estar dialogando com outros Poderes e que esperava apresentar uma solução para o caso até a próxima semana.

A possibilidade de transferir o Coaf para o BC já foi levada pelo ministro da Economia ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com quem também trata em paralelo sobre dar celeridade ao projeto de independência da autoridade monetária.

Órgão responsável por fazer uma “devassa” nas transações financeiras, o Coaf tem sido alvo de disputas desde o início da gestão Bolsonaro.

Inicialmente, o presidente o subordinou ao Ministério da Justiça ao prometer uma “superpasta” a Moro, seguindo a promessa eleitoral de intolerância com o crime e a corrupção.

A instituição voltou a ser vinculada à Economia durante a votação da reforma administrativa do governo. Esse foi um sinal claro do Congresso de descontentamento em relação a Moro.

Nesse contexto de brigas institucionais está a decisão de semana passada do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a suspensão imediata de procedimentos investigatórios instaurados na Receita Federal que atingiram ministros da corte e outras autoridades.

Para Moraes, há “graves indícios de ilegalidade no direcionamento das apurações em andamento”.


Diário do Poder


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