segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Brasil; Professor desabafa após ser atingido por lixeira em sala de aula: 'Pensei em abandonar a carreira'
Professor de história e sociologia Kleber Olimpio, de 45 anos, foi atingido por uma lata de lixo deixada sobre a porta de uma sala de aula em Bertioga, SP.

Entenda o caso; Um vídeo obtido pelo G1 mostra Kleber sendo constrangido por alunos de uma escola estadual de Bertioga. As imagens mostram que estudantes colocaram uma lixeira em cima da porta, que cai na cabeça dele ao entrar na sala de aula. Os alunos riem após o ocorrido. A Diretoria Regional de Ensino afirma que irá apurar o caso.

"Quando aquela lixeira caiu em mim, eu saí e fui direto para casa, com a intenção de voltar para a escola com uma carta de rescisão e abandonar a carreira. Me senti humilhado". O desabafo é do professor Kleber Olimpio, de 45 anos, atingido por uma lixeira colocada sobre a porta de uma sala de aula em Bertioga, no litoral de São Paulo.

Em entrevista ao G1, Olimpio, que é professor de história e sociologia na Escola Estadual Archimedes Bava, localizada no bairro Jardim Indaiá, afirma que se preparava para dar a última aula de quinta-feira (14), por volta das 11h40, quando foi alvo da ação dos alunos. "Era para cair em mim, não tinha outra opção".

"Sempre foi uma sala muito complicada, difícil de trabalhar, mas nunca aconteceu nada nesse sentido. Eu havia tirado alguns alunos da sala, mandado que eles fossem beber água, e quando voltei aconteceu aquilo. Minha única reação foi sair da escola e ir para casa, fiquei muito indignado", relata o professor.

Para Kleber, o caso é considerado uma agressão, ao entender que os alunos tinham a consciência de que era o professor quem entraria e seria atingido pelo objeto. Apesar de não ter se ferido, ele lamenta a falta de respeito dos envolvidos com a presença dele na sala de aula. "Não machucou, mas foi uma punhalada na alma, pensei em abandonar a carreira".

Alunos colocaram lixeira em cima da porta para que caísse em cabeça de professor. Olimpio ressalta que, além da agressão em si, também se sentiu humilhado pela divulgação dos vídeos em grupos de aplicativos de mensagem. "Eu estava indo jantar quando vi que os vídeos estavam circulando nos grupos e fiquei extremamente envergonhado. Naquela altura, as pessoas iriam olhar e me reconhecer".

"Minha preocupação é de que isso chegue nos meus parentes que moram em São Paulo, principalmente na minha mãe. Apesar disso, fiquei mais aliviado com a indignação das pessoas que viram o vídeo nas redes sociais. Faz a gente ter alguma esperança de que ainda tem pessoas que acreditam na educação como ferramenta de mudança".

O professor explica, também, que considera deixar de dar aula na unidade e espera, no mínimo, que haja uma reunião entre pais, alunos e funcionários da escola, a fim de que a situação seja esclarecida. "Quero que haja a conscientização, pelo menos dos alunos, de que o que eles fizeram não é certo".

"Apesar da relação difícil, ainda há alunos com quem eu me dou bem, mas o que mais me entristece é que não teve nenhum que enfrentasse os colegas e apontassem que aquilo estava errado. Quero que isso seja discutido para que outras pessoas não sofram como eu sofri", finaliza.

Uma aluna de 16 anos do 2º ano do Ensino Médio, que prefere não se identificar, afirmou ter discordado da atitude dos estudantes. "Eu era dessa sala até o começo do ano e pedi reclassificação, muitas pessoas estavam compartilhando e rindo, achei errado", diz.

Em nota, a Diretoria Regional de Ensino de Santos afirma repudiar qualquer tipo de violência, seja dentro ou fora.


Por Gabriel Gatto, G1 


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